sábado, 27 de junho de 2009

A crônica - características

Gênero textual: A CRÔNICA

A crônica é um texto de caráter reflexivo e interpretativo, que parte de um assunto do cotidiano, um acontecimento banal, sem significado relevante. É um texto subjetivo, pois apresenta a perspectiva do seu autor, o tom do discurso varia entre o ligeiro e o polêmico, podendo ser irônico ou humorístico.
É um texto breve e surge sempre assinado numa página fixa do jornal.


CARACTERÍSTICAS DA CRÔNICA

Apresenta marcas de subjetividade – discurso na 1ª e 3ª pessoa;
Pode comportar diversos modos de expressão, isoladamente ou em simultâneo:
- narração;
- descrição;
- contemplação / dose de lirismo
- comentários;
- reflexão.

Linguagem com duplos sentidos / jogos de palavras / conotações;
Utiliza a ironia;
Discurso que vai do oralizante ao literário;
Predominância da função emotiva da linguagem sobre a informativa;
Vocabulário variado e expressivo de acordo com a intenção do autor;
Pontuação expressiva;
Emprego de recursos estilísticos

A temática
Aborda aspectos da vida social e quotidiana;
Transmite os contrastes do mundo em que vivemos;
Apresenta episódios reais ou fictícios.

(A crônica pode ser política, desportiva, literária, humorística, econômica, mundana, etc.)

terça-feira, 23 de junho de 2009

O ensino da norma culta na escola como fonte de equívocos

- Abertura: Música "O Caderno" - Toquinho
- Texto "Você sabe como a mente aprende?
. Leitura, reflexão, co-relação do texto com o trabalho do professor.

Abordagens TP1:
- A norma culta > o ensino da norma culta na escola como fonte de equívocos.
- A norma culta > dialeto definido por critérios socioculturais.
- O texto literário
. Leitura dramatizada pelos cursistas do texto "Caso do Vestido" de Carlos Drummond de Andrade (pag.67 a 69)
- Modalidades da lingua
. a lingua oral e a lingua escrita
. o descuido com as atividades orais na escola
- Orientação para o avançando na prática (pag.86)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Compreender, eis a questão! - Revista Nova Escola

COMPREENDER, EIS A QUESTÃO!

Ensine a estabelecer inferência e previsão, estratégias que ajudam a entender melhor um texto
Roberta Bencini (Revista Nova Escola)
Aprender a ler não é só uma das maiores experiências da vida escolar. É uma vivência única para todo ser humano. Ao dominar a leitura abrimos a possibilidade de adquirir conhecimentos, desenvolver raciocínios, participar ativamente da vida social, alargar a visão de mundo, do outro e de si mesmo, como disse Carlos Drummond de Andrade no poema Infância. "E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé."
Faz mais de 500 anos que o gráfico alemão Johannes Guttenberg inventou a prensa manual e deu início a uma das maiores revoluções da humanidade, o acesso em massa à leitura. Ele criou a técnica da impressão provavelmente em 1453, mas só completou seu primeiro livro, a Bíblia, em 1455. No entanto, até hoje ler é um problema para muitas pessoas. Cabe à escola, em meio a tantas mudanças tecnológicas e sociais, estimular a leitura, melhorar as estratégias, principalmente de compreensão (um dos principais problemas de aprendizagem, segundo os exames de avaliação nacionais e internacionais) e oferecer muitos e variados textos. Dos caminhos a seguir, dois favorecem a intimidade dos alunos com o texto: ensinar a estabelecer previsão e inferência, estratégias que são invocadas na prática da leitura, logo no primeiro contato com o texto, e que devem ser "provocadas" conscientemente pelo professor na prática de leitura.

Se usadas com clareza, previsão e inferência exigem que o leitor acione conhecimentos prévios, como ideias, hipóteses, visão de mundo e de linguagem sobre o assunto. "A leitura é uma atividade de procura do passado de lembranças e conhecimentos do leitor. O que orienta o ato de ler é a direção, a elaboração do pensamento e sua imagem de mundo", diz Ângela Kleiman, professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.

Ler é interagir

O ato de ler não se dá linearmente, como um processo contínuo, tranqüilo e sem interrupções. Ao contrário. É uma operação mental complexa marcada por tensões, porque envolve ativamente a pessoa. "Ler não é fácil, exige esforço mental e físico. E, como tudo que dá trabalho, muitas vezes tendemos a abandonar", explica Heloísa Cerri Ramos, consultora de Língua Portuguesa. "Por isso, o esforço dos professores deve ser incansável."
Quem lê está em contato com quem escreveu o texto, com as idéias de uma ou de várias pessoas. E recorre às próprias idéias para conferir o que conhece sobre um assunto, para criticar ou concordar com o autor. Portanto, a leitura só desperta interesse quando interage com o leitor, quando faz sentido e traz conceitos que se articulam com as informações que já se tem.

Na sala de aula

Uma atividade de leitura deve ser bem planejada. O professor deve pesquisar textos e se preocupar em:

• Ter um objetivo bem definido para desenvolver com os estudantes.

• Escolher textos à altura do repertório dos alunos para que o diálogo com a leitura seja produtivo, mas também outros de leitura complexa, que mediados pelo professor permitam tornar o diálogo possível.

• Ativar o conhecimento prévio dos alunos, ensinando a fazer perguntas sobre o texto, para aumentar as possibilidades de compreensão do texto.

• Fazer hipóteses e previsões sobre o texto a ser lido. E ensinar a estabelecer previsões, baseando-se no gênero, no título, no subtítulo, nas ilustrações etc.

• Favorecer a participação do aluno por meio de perguntas e situações em que ele tenha de fazer uso de estratégias que lhe facilitem a compreensão do texto.

• Articular diferentes situações de leitura — silenciosa, coletiva, oral, individual e compartilhada — e encontrar os textos mais adequados para alcançar os objetivos.

• Estimular a turma a sempre trocar idéias e discutir o que foi lido.

• Propor trabalhos em que os alunos precisem ler para seguir instruções, revisar a própria escrita, praticar a leitura em voz alta e memorizar.

Fonte: Heloisa Cerri Ramos, professora e consultora de Língua Portuguesa
Os especialistas falam

"Que ninguém se iluda: só a leitura intensa permite conhecer os múltiplos recursos da língua e usá-los com eficiência, sem a decoreba gramatiqueira"
Marcos Bagno, escritor, tradutor e professor de Lingüística da Universidade de Brasília

"Ler em si não é viver. Ler é conseguir o devido combustível de idéias para viver em sociedade. E essa conquista passa necessariamente pela objetividade do ensino e pela qualidade da escola. Isso não é uma inferência, mas um fato real ou, no mínimo, uma previsão mais do que acertada"
Ezequiel Theodoro da Silva, professor da Universidade do Contestado, SC, e da Universidade Estadual de Campinas, SP

"O domínio das estratégias de leitura decorre de uma prática viva do ato de ler, de um lado vivenciando os diferentes modos de ler existentes nas práticas sociais; de outro, respondendo aos diferentes propósitos de quem lê"
Maria José Nóbrega, mestra em Língua Portuguesa e assessora em programas de desenvolvimento profissional
Dialogar com o texto

Durante a leitura, captamos informações pela aparência (tamanho do texto ou livro), a existência ou não de fotos e ilustrações, o tamanho e sua disposição no papel. Sem falar, é claro, no título do texto e no que já sabemos sobre o autor. É o primeiro contato que faz o leitor imaginar o assunto. Quer um exemplo prático? Leia o texto abaixo:

"A liberação de neurotransmissores é um processo probabilístico. Tal liberação, chamada de exocitose, ocorreria com uma probabilidade relativamente baixa. De cada cinco impulsos nervosos chegando à vesícula sináptica de células piramidais do neocórtex, apenas um liberaria o neurotransmissor".

Deu para entender alguma coisa? Quem não conhece neurociência dificilmente vai se interessar pelo assunto, porque não conseguirá estabelecer um diálogo com o texto. Ainda assim é possível perceber algumas características: não se trata de uma história, não há ação, o texto é informativo. Ou seja, nenhum texto passa em branco para quem é letrado. Isso é inferência, uma estratégia que leva em conta os elementos (sejam eles fotos, tabelas, gráficos, desenhos, a divisão dos parágrafos do texto, o significado de uma palavra) que possibilitam tirar conclusões a partir de dados avulsos e, por isso, incompletos.

Quanto menos conhecimento o leitor tem de um assunto, mais ele se agarra à inferência. É fácil inferir que abaixo temos um poema, pois ele está organizado em estrofes.

Veja agora como é diferente a questão do diálogo com o texto quando o texto faz parte de nosso repertório de conhecimento.

Para entender o que se lê, é preciso:

• Conhecer a língua.
• Ter um objetivo.
• Ter experiências ou conhecimentos prévios sobre o assunto do texto.


O BICHO

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

O autor é Manuel Bandeira, poeta do modernismo (leia mais sobre o escritor e esse movimento artístico do século XX no quadro abaixo). Mesmo quem não conhece nada sobre ele ou o contexto em que a poesia foi produzida consegue entender a mensagem, pois o poeta utiliza ferramentas da língua para expressar sua visão de mundo. Antes de ler O Bicho, quem tem informações sobre Manuel Bandeira pode antecipar o estilo ou o tema. Ou seja, um conhecimento do assunto, do autor, antecipa a expectativa da leitura. Isso é previsão. Quanto maior o repertório de uma pessoa, quanto mais experiências de leitura tiver uma pessoa, mais previsões ela é capaz de fazer. Quanto mais sabe sobre o mundo e a linguagem, melhor ela lê. Por isso, seu papel é apresentar vários tipos de texto e imagem.

Abaixo os puristas

O modernismo foi um movimento literário e artístico nascido na Europa e que se espalhou por vários países do mundo. Chegou ao Brasil na década de 1910. Na literatura, teve início em 1922 com a Semana de Arte Moderna, que contou com a participação de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Graça Aranha, Guilherme de Almeida e muitos outros, no Teatro Municipal de São Paulo. Os modernistas ridicularizavam o parnasianismo, movimento artístico mais importante da época (que cultivava uma poesia de notável apuro de forma), e apresentaram uma renovação na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura definitiva com a arte tradicional. O modernismo privilegiava os temas populares brasileiros, quase sempre com humor e irreverência. As regras gramaticais nem sempre eram respeitadas, sobretudo nos textos sem pontuação e nos versos descontínuos, o que era abominado pelo parnasiano Olavo Bilac.

Paixão pela vida

Manuel Bandeira (1886-1968) é uma das figuras mais importantes da literatura brasileira. Estreou na poesia em 1917 com o livro A Cinza das Horas e, na Semana de Arte Moderna, seu poema Os Sapos foi declamado, virando um dos marcos do movimento. Certa vez definiu sua obra como um "gosto humilde de tristeza", pois seus textos biográficos são marcados pela tragédia e a tuberculose, a melancolia e a paixão pela vida. Tratou de temas como o amor, a morte e o cotidiano, aliando freqüentemente o humor e a ironia amarga. Manuel Bandeira foi também professor de Literatura e membro da Academia Brasileira de Letras.

sábado, 30 de maio de 2009

Variantes linguísticas - desfazendo equívocos

- Abertura:
Apresentação do vídeo da Companhia de teatro Os melhores do Mundo- "O Assalto"

- Texto "Compreender, eis a questao" de Roberta Bencine (Nova Escola/Março 2006)
. Leitura e discussao sobre o texto
. Em que aspectos a escola tem falhado?
. o que fazer para reverter essa situação?

- Realização da oficina (Tp1-pag.169) em dois grupos de cursistas.
. Apresentacão da oficina
. Avaliação da oficina > você trabalharia essa crônica com seus alunos?

- Abordagens TP1:
. Variantes linguísticas - desfazendo equívocos
. Ninguém deve ser discriminado por apresentar um comportamento linguístico diferente do outro.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

As inter-relacoes entre língua e cultura

-Abertura:
Leitura do conto de Mário de Andrade "Peru de Natal"
. Que relação há entre o conto e o ensino da Língua Portuguesa?
. A que tipo de professor podemos comparar o pai do narrador?
. Poderiamos tomá-lo como uma metáfora do ensino da Lingua Portuguesa pautado apenas em normas e regras gramaticais?

Abordagens Tp1:
- Os dialetos de Português
- As variantes comuns a um grupo - chamadas dialetos
- As variantes do uso de cada sujeito - chamadas registros
- As inter-relacoes entre língua e cultura
. A lingua reflete o mundo e sobre o mundo
. A lingua expressa a cultura dos sujeitos e dos grupos
. A lingua apresenta variacões no tempo e no espaço

- Leitura do texto "O caipira vai ao mar" (contribuição da cursista Juliana Paula)

- Orientação para o avancando na prática (pag.30)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Norma Culta e Língua Padrão - Maria T. Piacentine

Norma culta e língua-padrão
M. T. Piacentini

Para os lingüistas, a língua-padrão se estriba nas normas e convenções agregadas num corpo chamado de gramática tradicional e que tem a veleidade de servir de modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão lingüística. Querer que todos falem e escrevam da mesma forma e de acordo com padrões gramaticais rígidos é esquecer-se que não pode haver homogeneidade quando o mundo real apresenta uma heterogeneidade de comportamentos lingüísticos, todos igualmente corretos [não se pode associar “correto” somente a culto].
Em suma: há uma realidade heterogênea que, por abrigar diferenças de uso que refletem a dinâmica social, exclui a possibilidade de imposição ou adoção como única de uma língua-modelo baseada na gramática tradicional, a qual, por sua vez, está ancorada nos grandes escritores da língua, sobretudo os clássicos , sendo pois conservadora. E justamente por se valer de escritores é que as prescrições gramaticais se impõem mais na escrita do que na fala.
“ A cultura escrita, associada ao poder social , desencadeou também, ao longo da história, um processo fortemente unificador (que vai alcançar basicamente as atividades verbais escritas), que visou e visa uma relativa estabilização lingüística, buscando neutralizar a variação e controlar a mudança. Ao resultado desse processo, a esta norma estabilizada, costumamos dar o nome de norma-padrão ou língua-padrão ” (Faraco, Carlos Alberto, “Norma-padrão brasileira”. In Bagno, M. (org.). Lingüística da norma . SP: Loyola, 2002, p.40).
Aryon Rodrigues (in Bagno 2002, p.13) entra na discussão: “ Freqüentemente o padrão ideal é uma regra de comportamento para a qual tendem os membros da sociedade, mas que nem todos cumprem, ou não cumprem integralmente ”. Mais adiante, ao se referir à escola, ele professa que nem mesmo os professores de Língua Portuguesa escapam a esse destino: “ Comumente, entretanto, o mesmo professor que ensina essa gramática não consegue observá-la em sua própria fala nem mesmo na comunicação dentro de seu grupo profissional ” (p. 18).
Vamos ilustrar os argumentos acima expostos. Não há brasileiro – nem mesmo professores de português – que não fale assim:
- Me conta como foi o fim de semana...
- Te enganaram, com certeza!
- Me explica uma coisa: você largou o emprego ou foi mandado embora?
Ou mesmo assim:
- Tive que levar os gatos, pois encontrei eles bem machucados.
- Conheço ela há muito tempo – é ótima menina.
- Acho que já lhe conheço, rapaz.
Então, se os falantes cultos, aquelas pessoas que têm acesso às regras padronizadas, incutidas no processo de escolarização, se exprimem desse modo, essa é a norma culta . Já as formas propugnadas pela gramática tradicional e que provavelmente só se encontrariam na escrita [ conta-me como foi / enganaram-te / explica-me uma coisa / pois os encontrei / conheço-a há tempos / acho que já o conheço ] configuram a norma-padrão ou língua-padrão .
Se para os cientistas da língua, portanto, existe uma polarização entre a norma-padrão (também denominada “norma canônica” por alguns lingüistas) e o conjunto das variedades existentes no Brasil, aí incluída a norma culta , no senso comum não se faz distinção entre padrão e culta. Para os leigos, a população em geral, toda forma elevada de linguagem, que se aproxime dos padrões de prestígio social, configura a norma culta.
Fica evidente que as pessoas transitam pela norma culta e norma-padrão sem fazer distinção entre as duas, pois é realmente tênue a linha demarcatória entre elas.

Sobre a autora:
Maria Tereza de Queiroz Piacentini é catarinense, professora de Inglês e Português, revisora de textos e redatora de correspondência oficial há mais de vinte anos. Em 1989 foi responsável pela revisão gramatical da Constituição do Estado de Santa Catarina e no ano seguinte publicou artigos sobre questões vernáculas em diversos jornais. Retoma agora a publicação de colunas semanais com temas atualizados, em vista da experiência adquirida e das inúmeras consultas que lhe têm feito pessoas de todo o país.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

1º Encontro - Variantes Linguísticas

- Abertura:
. Dinâmica de apresentação dos cursistas
. Mensagem "Preciso de matéria prima para construir um país" no data-show
Reflexões e comentários

- Organização da Proposta Pedagógica e do Currículo de Língua Portuguesa no Gestar II
- Lanche

- Abordagens Tp1:
- Estudo da unidade "Variantes Linguísticas- dialetos e registros" tendo como base o texto "Retrato de velho" de Carlos Drummond de Andrade.

- Orientação para o avançando na prática em sala de aula (construção do dicionário dos jovens.